Desde que o Google chegou com seu PageRank para classificar resultados de pesquisa utilizando algoritmos ao invés de utilizar simplesmente a ordem alfabética, o SEO ganhou mais e mais importância para que websites consigam receber visitas originadas de search engines. Junto a cada técnica de SEO, surgia também o abuso desta técnica de SEO, levando ao nascimento do Black Hat SEO.

Black Hat SEO

Black Hat SEO é o termo utilizado para caracterizar técnicas de SEO consideradas “ilícitas” ou abusivas, ou seja, técnicas que aproveitam uma possível brecha nos algoritmos de classificação de resultados ou exageram o uso de alguma técnica White Hat SEO. Em oposição, o White Hat SEO é composto por técnicas de SEO consideradas válidas por search engines.

Uma curiosidade: O uso dos termos white hat (chapéu branco) e black hat (chapéu preto) deriva de filmes Western (Velho-Oeste), onde o mocinho do filme sempre usava um chapéu branco, e o vilão, um chapéu preto.

Histórico Black Hat

O termo black hat SEO começou a ficar popular em 2004, mas foi ao longo de 2006 que a busca por este tipo de informação realmente aumentou.

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Outra curiosidade: no mundo todo, o local onde mais se busca por Black Hat SEO, é a Índia. Em um segundo lugar muito distante, aparece o Reino Unido, seguido de perto pelos EUA.

Técnicas de SEO Black Hat

Antes de partir para técnicas Black Hat, tenha em mente que a razão pela qual você deve conhecer estas técnicas é para que não as utilize por acidente, muito menos intencionalmente, pois, como mencionado anteriormente, elas são práticas não recomendadas por search engines.

Para cada técnica de White Hat SEO, quase sempre, existe uma versão black hat dela. As mais conhecidas são:

  • Keyword stuffing
  • Texto escondido
  • Links escondidos
  • Doorway pages
  • Cloaked pages
  • Link farming
  • Spam em comentários de blog
  • Comprar links
  • Troca de links

Keyword Stuffing

Eu já publiquei um artigo aqui na Agência Mestre sobre este tema: Keyword Stuffing vs. Density. Basicamente, keyword stuffing é o uso excessivo de keywords em seu conteúdo, ou seja, você faz uma página sobre notebook e escreve a palavra para todo lado. O título fica “Notebook, notebooks, venda notebook, notebook hp, …”; bem como toda porção da página fica com cara de spam de tanto que se repete a palavra.

Isso é um abuso de uma técnica white hat, ou seja, fazer com que sua keyword principal apareça pela página, mas sem abusar.

Texto Escondido

Texto escondido é justamente o que o nome diz: o webmaster procura uma maneira de esconder o texto da visão do visitante, seja por sobreposição de camadas (divs) através do uso de CSS ou simplesmente usando a propriedade display none, também do CSS, para que o texto não apareça.

O objetivo é esconder texto com alta densidade de keywords (texto utilizando a técnica de Keyword Stuffing) para que o visitante não veja o texto mal produzido, mas que a search engine encontre o texto e coloque o site algumas posições adiante, já que tem tantas menções de uma determinada keyword.

Mesmo que não seja utilizado keyword stuffing, se o texto for identificado como puramente para search engines e manipulação de seus rankings, a técnica é considerada black hat.

Links Escondidos

Para esconder links, as mesmas técnicas citadas anteriormente podem ser utilizadas, e o link fica escondido por CSS. Mas por que esconder um link? Como sabemos, os links carregam uma grande força para definir o rankeamento de sites em uma pesquisa.

Assim, implantar links escondidos em outros sites (seus próprios sites ou não), faz com que search engines encontrem links preparados especialmente para manipular os resultados, ou seja, com o texto âncora perfeito, mas que visitantes nem sabem que estão ali. A função destes links é puramente “passar PageRank.”

Doorway Pages

É muito provável que todos já tenham se deparado com uma doorway page em algum momento. São páginas feitas para tentar resolver uma falha do site final e funciona da seguinte maneira:

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O site é um site em imagem, flash ou simplesmente mal produzido em termos de SEO e, ao invés de se trabalhar em cima deste site, um novo domínio é comprado com as keywords no nome (www.keywordprincipalaqui.com.br) e este domínio, que na verdade vai ser uma única página – a Doorway Page, será super otimizado para esta keyword e contará com um conjunto de links otimizados para o site principal.

Cloaked Pages

Recentemente, o Heron publicou aqui na Agência Mestre um artigo excelente sobre cloaking, com aplicações práticas, versões white hat e versões black hat de se fazer cloaking.

A técnica consiste de mostrar conteúdos diferentes para diferentes tipos de usuários. Assim, ao receber uma visita, o visitante deve ser identificado como uma search engine ou não (procurando descobrir o IP ou User-agent) e, caso seja uma search engine, deve ser exibida uma página extremamente otimizada, rica em keywords e prontinha para ser classificada em primeiro.

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Mas, se o visitante não for uma search engine, então mostra-se uma página comum. Como isso visa exclusivamente obter rankings melhores nas buscas, isto é considerado uma técnica black hat SEO.

Link Farming

Link farming, ou Link Farm, também já foi discutido por aqui. De modo simples, um Link Farming pode ser implementado simplesmente fazendo diversas Doorway Pages, ou seja, cria-se diversos domínios super otimizados, com diversas keywords que o site principal precise, todos linkando para este site.

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O maior ponto falho desta técnica black hat, é que todo o tempo investido em todas esses outros domínios poderia ter sido investido diretamente no site principal, evitando, assim, uma técnica black hat e resultando em um site de mais qualidade. Mas de fato, vários links de conteúdos relacionados são conseguidos.

Spam em Blogs e Fóruns

Ainda seguindo a linha de ganho de links, utilizar scripts para postar automaticamente em fóruns e comentar em blogs foi muito usado antigamente como uma tática black hat para Link Building. Depois do surgimento do atributo nofollow, essa técnica de SEO black hat caiu em desuso, mas ainda acontece bastante.

Como normalmente um usuário de fórum pode fazer uma assinatura com links e postar links em seus comentários, isso foi uma forma fácil de se conseguir links. Funciona de modo análogo para blogs.

Dica especial: para escapar destas postagens automáticas de modo automático também, existe uma função em PHP que elimina a codificação HTML, é a função htmlspecialchars(). Ela transforma caracteres HTML em códigos de caracteres texto. Por exemplo, se o black hat enviar um link para http://www.blackhat.com.br/ com a âncora “black hat”, ou seja:

  • <a href=”http://www.blackhat.com.br/”>black hat</a>

Ao invés de aparecer o link:

Apareceria o código escrito por extenso:

  • <a href=”http://www.blackhat.com.br/”>black hat</a>

Sem o hiperlink entre as páginas.

Comprar Links

Uma estratégia de link building também considerada black hat é a compra de links, mas há uma ressalva, pois existe um caso em que a compra de links não é considerada black hat:

  • quando o link comprado recebe o atributo rel=”nofollow”

Pois assim, o webmaster indica para a search engine que não tem a intenção de manipular os rankings com o link vedido/comprado. E como as search engines identificam links comprados? Naturalmente, elas não revelam essa informação, pois se o fizessem, os black hats correriam atrás de contorná-la.

Troca de Links

A troca de links é uma prática considerada black hat também por search engines. Consiste simplesmente de encontrar outros sites e blogs dispostos a trocar links com o seu próprio website. Assim, todos ganham links e, possivelmente, rankings.

Pois é, o Darth Vader está certo, existem certas vantagens em se juntar ao lado negro da força. Métodos fáceis e rápidos de se ganhar links, de popular as páginas do site com keywords, oferecer à search engine conteúdo extremamente otimizado, enquanto os visitantes recebem uma versão mais amigável. Vamos todos virar black hats então? Não!

Por que não aplicar Black Hat SEO?

O que o Darth Vader “esqueceu” de te avisar é que toda técnica de SEO Black Hat é passível de punição nos resultados de pesquisa. Cada uma delas. Haja visto o caso do site alemão da BMW que foi punido, anos atrás, por utilizar cloaking em sua página inicial, que mostrava uma página amigável para pessoas e outra extremamente rica em keywords (keyword stuffing) para search engines.

Em um caso mais recente, o Google do Japão foi punido por compra de links. Em uma estratégia de uma empresa de marketing contratada pelo próprio Google Japão, alguns links foram comprados para promover o buscador por lá, e o resultado foi a punição do Google Japão. Se você disser que este é um caso suspeito, eu até concordo, mas, acredite, não é bom arriscar.

Links e texto escondido são as técnicas black hat mais fracas. Basta uma simples análise do CSS e elas já são identificadas. Doorway pages, link farming, troca de links também não são tão complicadas de se detectar. Pode até ficar complicado, mas acabam podendo ser identificadas.

Spam em comentários de blogs e fóruns também são fáceis de se filtrar, especialmente porque partem do mesmo princípio de se bloquear spam por email – uma lista de nomes que tipicamente faz spam. No caso de emails, uma lista de emails, no caso de sites, uma lista de sites que tipicamente atacam fóruns e blogs em busca de links.

E para que você não fique especulando sobre a possibilidade de usar uma ou outra técnica black hat, veja o que acontece com o tráfego do site quando uma punição é aplicada:

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Encara sofrer uma perda de 90% das visitas do site? Até a próxima!