Como Funciona o Google

Este artigo é um Guest Post enviado pelo Raphael Feliz, Gestor de Marketing Digital na Real Consultoria Imobiliária.

Como faço regularmente, cumpri minha meia hora diária de consumo de conteúdo offline lendo o caderno Link do Estadão. Me chamou a atenção o artigo “Jogo de trapaças”, e em especial o diagrama “Por dentro da busca do Google”, que inspirou este curto artigo sobre alguns equívocos do jornal sobre o funcionamento deste site de buscas. Tudo que está abaixo encontrei no diagrama da página L3.

1 – “O Google rastreia a Web através do seu post”

Ficou clara confusão. Os posts são a própria Web. O rastreamento se dá na verdade por programas chamados bots (ou robots, crawlers, spiders etc..).

2 – “Seu site pode também ser achado através de um software ou mapas de site xml”

Quando dizem software, devem estar falando dos bots do Google. Estes são os únicos que de fato leêm seu site. Em relação aos mapas de site (sitemap.xml), o Google não encontra seu site através dos sitemaps somente por possuir estes arquivos. O que existe sim é uma requisição formal (via GWT) que se pode fazer ao Google para indexar seu site, onde, nessa solicitação, deve-se incluir o envio do sitemap.xml e essa foi a confusão.

3 – “O Google estima a importância de uma página baseado em links”

Faltou colocar um “,entre um milhão de outras coisas,” depois do verbo. Essas outras coisas incluem domínio em que o site está hospedado, o número de ocorrências da palavras-chave no site, a velocidade de carregamento do site e muitas outras coisas que inspiram livros com mais de 600 páginas.

4 – “Se os links para o seu site tiverem a tag nofollow os robôs também não irão chegar”

Esta é uma confusão comum. Para o Google, se um site A tem link para um site B equivale ao site A recomendar o site B, o que faz ele ganhar pontos no Pagerank do Google e melhorar seu posicionamento. Quando o link é nofollow significa que o site diz o Google: estou mencionando este site, mas não estou recomendando. Um outro assunto, totalmente diferente é o mecanismo como o Google encontra e indexa as páginas da web. Como dito acima, uma forma do Google encontrar seu site é fazer uma solicitação formal para o Google enviando seu sitemap.xml. A outra forma é o Google, ao ler um site encontrar um link para outro site. O Google poderá seguir este link, independentemente do link ter nofollow.

5 – “Nofollow é um atributo em HTML que instrui os mecanismo de pesquisa a não contar este hiperlink no Pagerank”

Até aqui meio que tudo bem, apesar de haver controvérsia em relação ao peso de um nofollow ser totalmente nulo, mas a trip on the mayonese vem em seguida. “Muitos sites tentam burlar o sistema, o que levou o Google a penalizar estes links”. A guerra do Google contra o blackhat (técnicas para tentar manipular a classificação de um site pelo Google) não tem nada a ver com os links nofollow. Como o próprio artigo diz, o nofollow não conta (ou conta muito pouco) na classificação do Google. A briga do Google tem a ver com os sites que tentam manipular os links sem nofollow (também chamados dofollow). Entre as possibilidades de burlar o Google estão a famosa compra de links (que recentemente fez a decolar.com despencar nos resultados de busca), splogs (blogs criados automaticamente aos milhares apenas apenas para dar links para um determinado site) e a link farm (fazenda de links) caracterizada pela troca de links entre vários sites apenas com o objetivo de melhorar a classificação do Google.

6 – “Se não houver links para seu site, ele não será indexado”

O próprio artigo se contradiz, pois mencionou a questão dos sitemaps como alternativa para a indexação. Ou seja, mesmo sem links para seu site, é possível fazer uma solicitação formal para o Google ler seu site.

7 – “Se a palavra-chave gera um pouco volume de buscas ela é suspensa”

O assunto agora é forma do Google ganhar dinheiro, os anúncios pagos que aparecem geralmente na direita da sua busca, e, ocasionalmente, na esquerda, acima dos outros resultados (chamados resultados orgânicos ou naturais). Cada anunciante escolhe as palavras que são relacionadas ao seu negócio, e, quando digitamos essas palavras-chave no Google, o anúncio dele aparece.

Agora, é um mistério da onde tiraram que se essa palavra tiver “pouco volume de buscas”, ela será suspensa.

Extra – 8 – “Se um anúncio tiver muitos cliques ele pode ser exibido acima dos resultados de buscas”

O erro está na afirmação de o número de cliques ser o critério do Google para exibir o anúncio acima dos resultados de busca. O CTR (Click Through Rate) sim é um critério para levar o anúncio para o lado da esquerda, acima dos resultados de busca. O CTR é calculado dividindo o número de cliques pelo número de vezes que o anúncio foi exibido. Se o anúncio tiver muitos cliques, mas tiver sido exibido uma quantidade imensa de vezes, não tem mérito algum e não vai aparecer acima dos outros resultados.

Extra – 9 – “Grandes empresas normalmente tem desconto”

E por fim, a pérola. Nesse exato momento o Google deve estar em contato com o Estado pedindo explicações sobre essa baboseira que vai contra tudo que o Google prega na frase que resume sua missão: Don’t be evil. O quanto cada empresa paga ao Google é calculado em um leilão onde cada empresa oferece um lance para aparecer nas buscas por determinada palavra-chave. Quem está disposto a pagar mais tem preferência no posicionamento, mas também não é o único critério. Descontos e melhores posicionamentos podem ser concedidos a campanhas que possuem um bom índice de qualidade. Este índice leva em consideração apenas fatores objetivos, como a relevância do site do anunciante com a palavra-chave buscada e também o CTR. A posição final que o anúncio vai aparecer é dado pela multiplicação do lance pelo Índice de Qualidade.

Créditos da Imagem para Robert Scoble


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