É fácil admirar o sucesso atual da Moz. Afinal, a empresa tem as ferramentas mais respeitadas do mercado de marketing digital. Mas seu início não foi tão positivo assim. Aliás, nem todas as startups estão fadadas a uma trajetória brilhante desde o seu start, e é justamente isso que Rand Fishkin mostra em seu novo livro: Lost and Founder – A Painfully Honest Field Guide to the Startup World.

Embora seja mais conhecido por seus feitos na área de SEO, Fishkin fundou e foi CEO, por mais de 14 anos, da própria startup. Portanto, tem propriedade para falar sobre a jornada de sucesso, que, ao contrário do que muitos pensam, pode incluir dívidas, fracassos e diversas outras dificuldades. Isso, no entanto, não é ensinado no Vale do Silício.

Para Fishkin, a história de que as startups devem começar já com uma ideia brilhante, vinda de um recém-graduado em Harvard, definitivamente não é uma realidade. Mas é melhor deixar ele mesmo falar sobre o assunto.

Entrevista sobre Lost and Founder – A Painfully Honest Field Guide to the Startup World

Confira a entrevista que o fundador da Moz deu exclusivamente para o blog da Agência Mestre. Ele fala sobre o seu livro, que é um guia honesto e doloroso para o mundo das startups, e ainda dá dicas valiosas para fundadores.

Quando e como você percebeu que havia algo de errado nos ensinamentos transmitidos às startups e aos fundadores? No livro, você menciona um encontro com alguns empreendedores. Foi nessa ocasião?

Rand Fishkin: Acho que não. Esse, definitivamente, foi o momento em que percebi porque era tão valioso passar pelo processo de inicialização. Você aprende muito e existe tanto para conhecer. Não estou certo, mesmo agora, que tenho muitas respostas, mas pelo menos cometi alguns dos maiores erros, e espero não repeti-los.

Comecei a achar que a sabedoria padrão era incompleta ou imprecisa por volta de 2013 ou 2014. Foi nesse período que eu simplesmente parei de acreditar e ecoar as pessoas e ideias que eu vinha idolatrando como fundador de startup. Talvez estivesse ficando mais velho, talvez tenham sido os desafios que enfrentei na Moz ou talvez houvesse algo se infiltrando na cultura das startups, algo que me levou a acreditar que eu poderia questionar e possivelmente rejeitá-la.

Como surgiu a ideia do livro e o nome Lost and Founder?

RF: Não surpreende dizer que o título foi sugestão de Geraldine [esposa de Fishkin]. Ela é uma mestre das palavras. A ideia do livro veio porque senti que a experiência que tive na Moz criou poderosos ensinamentos, mas não tinha compartilhado essas lições tão detalhadamente no meu blog como eu gostaria. Lost and Founder também foi uma maneira de concluir um projeto que eu esperava que impactasse positivamente a empresa, independentemente de outras pessoas. Não exigiu nenhum desenvolvedor, designer ou violação de outros projetos; apenas eu.

Histórias de grande sucesso, como a do Facebook, geralmente são as mais comentadas. Por que você decidiu escrever sobre casos que tiveram falhas e dificuldades?

RF: Porque penso que 99,9% dos fundadores de startups vão experimentar desafios frustrantes e problemas difíceis, mas bem poucos terão experiências como a do Facebook. Os resultados selvagens e multibilionários podem ser tentadores e sexy, mas não são realistas e muitas vezes não ajudam muito. Os melhores conselhos que recebi são de empresários que passaram por problemas similares aos meus e que lutaram como eu, não daqueles que, no meio de 10 mil histórias, se destacaram.

Você pode nos dar uma prévia do caso ou ensinamento mais surpreendente que é citado no livro? Aliás, você tem uma página preferida?

RF: Não acredito que haja um caso que se destaque dos outros. Suspeito que isso depende do que é importante para você ou de onde você está na sua carreira agora. Uma das minhas partes favoritas é o capítulo final, sobre “foco”. Acho que é uma lição poderosa e relevante. Talvez seja boa para usar!

De acordo com os relatos que reuniu, pode revela um dos grandes erros das startups?

RF: Escolher o fundador errado (ou falhar ao definir as expectativas adequadas a respeito da divisão de responsabilidade e autoridade) é um deles. Optar pelo caminho errado para financiar o negócio, e não ter uma maneira de escalar e atrair novos clientes, são outros dos maiores erros que vi.

Existem uma metodologia certa para criar e manter uma startup? Além do seu, você sugere algum livro sobre o tema?

RF: Não acho que exista apenas um jeito certo de construir e expandir uma empresa. Mas, sim, há diversos livros que mencionei em Lost and Founder que são valiosos. Lean Startup, Sprint, Onlyness, Radical Candor, Powerful, and Good to Great são alguns que indico para fundadores de startups.

Se você tivesse o poder de mudar algo na cultura do Vale do Silício, o que você melhoraria?

RF: Eu terminaria o viés de sobrevivência e a adoração de heróis que o Vale coloca em torno de um punhado de empresas, como Amazon, Google, Facebook, etc. Acho que remover isso também pode desfazer muitas estruturas subjacentes que criam racismo, sexismo, compulsão por trabalho, obsessão com a engenharia sobre todas as outras disciplinas, etc.

Lost and Founder já está disponível na Amazon, mas ainda não ganhou uma versão em português. Enquanto isso não acontece, continue acompanhando as entrevistas disponíveis aqui, no blog da Agência Mestre. Temos até um bate-papo com Wil Reynolds. Confira!